Novos critérios para diagnóstico da obesidade: o que mudou?

Em 2025, um novo olhar sobre a obesidade começa a transformar a forma como essa condição é diagnosticada e tratada no Brasil e no mundo. Pela primeira vez, grandes sociedades médicas — como a SBEM, ABESO e SBCBM — endossam diretrizes internacionais que propõem uma abordagem mais completa, individualizada e humana.

O ponto de partida foi um documento publicado pela The Lancet Diabetes & Endocrinology, fruto de um trabalho colaborativo de 58 especialistas internacionais (incluindo médicos brasileiros e até pacientes). Essa comissão propôs novos parâmetros diagnósticos que reconhecem a obesidade como uma doença crônica, sistêmica e multifatorial, e não apenas um fator de risco associado ao peso.

O que muda no diagnóstico?

A obesidade, até então, era geralmente diagnosticada com base no IMC (Índice de Massa Corporal). Embora útil, esse indicador não considera a composição corporal nem os impactos funcionais do excesso de gordura no organismo.

Agora, a nova diretriz divide a condição em duas categorias:

  • Obesidade pré-clínica: excesso de gordura corporal sem sintomas clínicos evidentes, mas com risco aumentado de desenvolver doenças.
  • Obesidade clínica: excesso de gordura com manifestações claras de impacto na saúde, como hipertensão, apneia do sono, alterações hormonais, articulares ou metabólicas.

Além do IMC, diferentes critérios passam a ser valorizados, como circunferência abdominal, relação cintura-quadril, avaliação da composição corporal, presença de sinais clínicos ou limitações funcionais, entre outros.

Essa nova forma de avaliar evita erros de diagnóstico, como subdiagnosticar pessoas com IMC normal, mas com alto percentual de gordura; ou ainda sobrediagnosticar pessoas com IMC elevado, mas alta massa muscular.

Quais são os sinais da obesidade clínica?

O documento publicado com as novas diretrizes identifica 18 sinais clínicos em adultos que podem indicar obesidade como uma doença ativa. Entre eles:

  • Apneia do sono
  • Hipertensão arterial e pulmonar
  • Fadiga, dores articulares e inchaço
  • Alterações reprodutivas e hormonais
  • Doença hepática gordurosa
  • Problemas respiratórios e cardíacos
  • Limitações nas atividades cotidianas

E o tratamento, muda também?

Além das transformações no diagnóstico, os novos critérios reforçam a importância de um tratamento individualizado, contínuo e baseado em evidências, que vai muito além da balança. 

Neste sentido, o tratamento medicamentoso também passa por uma renovação importante. Com os novos critérios, o foco deixa de ser apenas o IMC e passa a considerar o impacto real do excesso de gordura no organismo. Isso permite que medicamentos sejam indicados com mais precisão — inclusive para pessoas que, mesmo com IMC abaixo de 30, apresentam obesidade pré-clínica ou sinais de risco elevado. 

Essa mudança amplia o acesso ao tratamento e promove uma abordagem mais preventiva e individualizada, com ênfase na melhora da saúde metabólica e funcional. Além disso, são considerados ainda o monitoramento precoce nos casos de obesidade pré-clínica; mudança de estilo de vida com apoio nutricional, psicológico e físico; e, por fim, cirurgia bariátrica e metabólica, quando indicada, como parte de uma abordagem multidisciplinar.

Nova abordagem é um divisor de águas

Essa redefinição das diretrizes representa um marco muito importante porque reforça a obesidade como doença, e não como “falha pessoal”; valoriza a avaliação funcional e a saúde real do paciente; abre caminho para políticas públicas mais justas, priorizando quem realmente precisa de tratamento (clínico ou cirúrgico) e combate o estigma ao promover um cuidado mais humanizado e eficaz.

Se você ou alguém próximo está buscando diagnóstico, tratamento ou orientação sobre obesidade, nós estamos aqui para ajudar. Entre em contato com a nossa equipe e venha conhecer um plano de cuidado pensado para você.

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O índice de massa corporal (IMC) é um dos parâmetros mais utilizados para classificar sobrepeso e obesidade em adultos. Ele é calculado a partir da divisão do peso (em quilos) pela altura (em metros) ao quadrado.

Quanto mais alto o IMC, maiores os riscos de doenças como diabetes, hipertensão, apneia do sono, doenças de articulações, entre outras.

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